Exercícios fazem diferença no tratamento da hipertens?o

Exercícios fazem diferença no tratamento da hipertens?o, mas é preciso seguir cuidados

Exame médico e percepç?o do esforço s?o fundamentais para um treino sem riscos ao paciente. Foi-se o tempo em que o portador de uma doença crônica era orientado a ficar em repouso, para evitar qualquer risco. Hoje a ci?ncia comprova a importância da atividade física como tratamento coadjuvante em diversas dessas doenças. Diabetes, DPOC, insufici?ncia cardíaca e hipertens?o arterial entram na lista de beneficiados pelo exercício.

Ao contrário do que muito se pensa, um treino bem orientado e bem dosado diminui os riscos associados ? hipertens?o. “Além de combater a obesidade e melhorar o metabolismo como um todo, o exercício físico trabalha grandes grupos musculares, o que diminui a resist?ncia dos vasos ? passagem do sangue e, em consequ?ncia, reduz a press?o arterial”, explica a cardiologista Rica Buchler, coordenadora da área de Cardiologia do Salom?o Zoppi Diagnósticos.

Mas antes de começar a praticar, é preciso saber que existem cuidados que devem ser tomados antes, durante e depois dos exercícios. Saber quais s?o eles diminui muito a possibilidade de qualquer surpresa desagradável. A seguir, nós te mostramos quais s?o. Coloque-os em prática e treine com segurança.

Antes de tudo:

Consulta médica e teste ergométrico

Uma boa avaliaç?o médica antes de começar a praticar exercícios físicos é requisito básico para qualquer pessoa que se preocupe com a própria saúde. Para o hipertenso o cuidado dobra. “Este paciente deve, obrigatoriamente, passar por um teste ergométrico, solicitado pelo médico, que vai determinar a intensidade com que ele pode se exercitar”, explica a cardiologista Rica Buchler.

Esse teste é realizado em esteira e com monitorizaç?o contínua da press?o arterial, frequ?ncia cardíaca, eletrocardiograma e sintomas. Com os dados colhidos, é possível fazer um cruzamento dos dados da press?o arterial com os da frequ?ncia cardíaca, determinando em que faixa de batimentos por minuto o treino é feito com a press?o em níveis seguros.

Quanto ? frequ?ncia e tempo, a especialista indica: “uma boa recomendaç?o é que o exercício seja feito, inicialmente, tr?s vezes por semana e com duraç?o de 30 a 50 minutos, mas esses números podem variar em cada caso”, conta a especialista.

Atenç?o aos sintomas

Dor ou press?o no peito, falta de ar e cansaço extremo s?o sintomas que podem surgir se voc? está ultrapassando os seus próprios limites.”Eles, juntamente com alteraç?es de eletrocardiograma, também podem ser detectados durante o teste ergométrico, por isso, há segurança na prescriç?o de atividade física para o hipertenso, diminuindo muito as chances de qualquer mal estar”, explica Rica Buchler.  Caso eles apareçam durante o seu exercício físico, é hora de diminuir o ritmo ou até de parar, de acordo com a sua sensaç?o, e pedir ajuda.

Antes de progredir a atividade física

Voc? está indo bem e animado para acelerar o passo? Antes disso, voc? deve voltar ao consultório do cardiologista. “Um novo teste ergométrico deve ser realizado n?o apenas para ver se houve progresso na capacidade física, mas também para avaliar se o exercício pode ser intensificado”, explica Rica Buchler. “O objetivo é sempre que o paciente tenha uma vida muito próxima ao saudável: n?o existem limites fixos para a intensidade da atividade para o hipertenso, mas a progress?o deve ser feita sempre com ajuda de um médico”.

Monitorando o exercício

“Uma simples caminhada para alguns pode ser um exercício extenuante para outros, por isso individualizar é o segredo de uma boa orientaç?o”, explica o cardiologista e médico do esporte Daniel Daher, do Hospital do Coraç?o, de S?o Paulo. “Se há um controle adequado da doença, n?o é preciso necessariamente medir a press?o sanguínea antes e depois do esforço”. Neste caso, vale monitorar a frequ?ncia cardíaca e prestar atenç?o na percepç?o de esforço: se o cansaço estiver extenuante, é hora de parar. “Falta de ar, dor no peito e taquicardia também merecem atenç?o, mas os sinais de maior importância s?o o aparecimento ou piora de sintomas em graus de esforço que antes eram feitos sem maiores problemas”. Conte ao seu médico se qualquer um desses sintomas aparecer.

N?o fique só na caminhada

O exercício com pesos – com carga leve ? moderada – leva a formaç?o de novos capilares sanguíneos. “Isso diminui a resist?ncia periférica dos vasos e a sobrecarga ao coraç?o e ainda aumenta a oferta de nutrientes, hormônios e oxig?nio aos tecidos”, afirma o fisiologista do esporte Raul Santo, professor da Faculdade S?o Judas Tadeu, de S?o Paulo. Se bem feita, a atividade ajuda no controle da doença e diminui a press?o arterial em repouso.

“Praticar exercícios que promovam relaxamento, como algumas técnicas de yoga, também est?o recomendadas”, explica Daniel Daher.  Eles atuam na diminuiç?o do estresse e por isso s?o benéficos na reduç?o da press?o arterial.

Medicaç?es

Os betabloqueadores, medicaç?o comumente usada por quem tem hipertens?o, podem influenciar a frequ?ncia cardíaca, variável importante para que seja feito um treino seguro. Por isso, quem toma essa medicaç?o precisa de alguns cuidados especiais: “é necessário estabelecer a frequ?ncia cardíaca de treino de acordo com a frequ?ncia cardíaca de reserva, um cálculo que considera a frequ?ncia cardíaca antes e depois do exercício”, explica a cardiologista Rica Buchler. Além disso, também vale ficar atento ? percepç?o de esforço e sintomas que surgirem durante o exercício.

Escolha o melhor horário para voc?

Tem gente que funciona muito bem de manh?, outros se sentem com mais disposiç?o durante a noite. “A escolha do horário de treino depende principalmente da vontade do praticante”, explica Rica Buchler. Por isso, ele deve ser determinado em funç?o do período do dia em que voc? se sente melhor e n?o pelo horário em que voc? toma a medicaç?o.

Mas se voc? está em dúvida, um exame chamado MAPA (Monitorizaç?o Ambulatorial da Press?o Arterial) pode te ajudar a escolher o período do dia destinado ao exercício físico. “O MAPA registra a press?o arterial durante um dia inteiro e pode indicar o horário em que ela está mais estável e própria para o exercício”, conta a especialista.

Fonte: Minha Vida

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